MADRI (AFP) — O escritor português José Saramago, prêmio Nobel de Literatura 1998, considerou nesta terça-feira que a crise econômica internacional representa "um crime financeiro contra a humanidade", durante a apresentação em Madri de seu último livro, "A Viagem do Elefante".
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Saramago diz que crise é um "crime financeiro contra a humanidade"
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
No Rio, Saramago defende pluralidade da língua portuguesa
O escritor José Saramago defendeu a diversidade das “línguas portuguesas” e pediu aos países lusófonos que se unam sem reduzir a língua, ao discursar no Rio, onde acontece o lançamento do seu novo romance, A Viagem do Elefante. “Na minha opinião, é a mais bela língua do mundo”, disse Saramago na Academia Brasileira de Letras, no Rio.“Há línguas portuguesas e não uma só língua portuguesa. Essas línguas são, ao mesmo tempo, iguais e diferentes”, declarou, ao realçar a “tarefa de defender a nossa língua”. Segundo o único escritor da língua portuguesa que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, as autoridades dos países lusófonos devem se esforçar para se unir sem diminuir o idioma. O escritor aproveitou para criticar o “mau uso” que se faz do idioma. “A língua portuguesa está bastante mal no uso corrente que se faz, no ensino, sabemos que se fala mal”.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Obra do escritor José Saramago é adaptada ao cinema
Estreiou este ano o filme «Ensaio Sobre a Cegueira», de Fernando Meirelles, realizador reconhecido internacionalmente , pelos filmes «O Fiel Jardineiro» e «Cidade de Deus», que agora transporta para o cinema uma das mais aclamadas obras de José Saramago, vencedor de um Prêmio Nobel. Uma cidade é devastada por uma epidemia instantânea de «cegueira branca». Face a este surto misterioso, os primeiros indivíduos a serem infectados são colocados em quarentena, num hospital abandonado, pelas autoridades governamentais.
Cada dia que passa, aparecem mais pacientes e esta recém- criada «sociedade de cegos» entra em colapso. Tudo piora quando um grupo de criminosos, mais poderoso fisicamente, se sobrepõe aos fracos, racionando-lhes a comida e cometendo actos horríveis.
Há, porém, uma testemunha ocular a este pesadelo: uma mulher, cuja visão não foi afectada por esta praga, que acompanhou o seu marido cego para o asilo. Ali, mantendo o seu segredo, guia sete desconhecidos, que se tornam, na sua essência, uma família.
Ela leva-os para fora da quarentena, em direcção às ruas deprimentes da cidade, que viram todos os vestígios de uma civilização entrar em colapso. A viagem é plena de perigos, mas a mulher guia- os numa luta contra os piores desejos e fraquezas da raça humana. Assim, abre-lhes a porta para um novo mundo de esperança, onde a sua sobrevivência e redenção final reflectem a tenacidade do espírito humano.
sábado, 8 de novembro de 2008
Novo livro do escritor José Saramago tem lançamento mundial

quinta-feira, 16 de outubro de 2008
José Saramago terminou um novo livro. Chama-se "A viagem do elefante".
Queridas amigas, queridos amigos,
Escrevê-lo não foi um passeio ao campo: Saramago lançou-se a esta tarefa quando estava incubando uma doença que tardou meses a deixar-se identificar e que acabou por manifestar-se com uma virulência tal que nos fez temer pela sua vida. Ele próprio, no hospital, chegou a duvidar que pudesse terminar o livro. Não obstante, sete meses depois, Saramago, restabelecido e com novas energias, pôs o ponto final numa narração que a ele não lhe parece romance, mas conto, o qual descreve a viagem, ao mesmo tempo épica, prosaica e jovial, de um elefante asiático chamado Salomão, que, no século XVI, por alguns caprichos reais e absurdos desígnios teve de percorrer mais de metade da Europa.
A viagem do elefante é um livro coral onde as personagens entram, saem e se renovam de acordo com as peculiares exigências narrativas que o autor se impôs e lhes impôs. O elefante e o seu cornaca têm nome, como outras personagens que figuram nos manuais de história, embora apareçam também pessoas anónimas, gente com quem os membros da caravana se vão cruzando e com quem partilham perplexidades, esforços, ou a harmoniosa alegria de um tecto depois de tantas noites dormidas à intempérie.
Apesar de não se tratar de um livro volumoso, andará pelas 240 páginas, poderemos reconhecer nelas a imaginação de Saramago, a compaixão solidária, esse sentimento que, sendo expressado literariamente, é sobretudo humano. Ele atravessa toda a obra, distingue-a e significa-a. Encontraremos igualmente o humor que o escritor emprega para salvar-se a si mesmo e para que o leitor possa penetrar no labirinto de humanidades em conflito sem ter de abjurar da sua condição indagadora de humano e leitor. Como sempre, encontrar-nos-emos com a ironia, o sarcasmo, a beleza em estado puro, a responsabilidade de escrever, a felicidade de ter escrito.
Saramago oferece-nos um novo livro. Que não é um livro histórico, embora trate de algo que está na história, ou, para ser mais rigoroso, na pequena história, embora intervenham personagens que tiveram vida real e que agora voltam a ter nova ocasião ao pôr-se a conviver com outras procedentes da imaginação do escritor e, todos juntos, habitar as mesmas páginas, ainda que nem sempre as mesmas peripécias. Quando lerdes o livro sabereis a que me refiro. A viagem do elefante está pontuado de acordo com as regras de Saramago, os diálogos intercalam-se na narração, um todo que o leitor tem de organizar de acordo com a sua própria respiração. O leitor, esse ser fundamental que Saramago considera e respeita e a quem continuamente interpela, seja adiantando-lhe consequências de certos actos ou recordando-lhe outros, implicando-o no texto, porque escrever, como ler, não são acções inocentes, são tentativas para forçar a inteligência a ir um pouco mais longe, mais além de Viena, de Valladolid ou de Lisboa, mais além do que éramos ao acordar de manhã e encontrar-nos com mais um dia pela frente.
Queridas amigas, queridos amigos, com estas linhas apenas pretendi dar a notícia de que vamos ter um novo livro de Saramago para incorporar na nossa vida de leitores. Não vos decepcionará, pelo contrário, ireis lê-lo, estou certa, com a mesma emoção com que foi escrito e sobrevooa cada linha, cada palavra. Não é um livro mais, é o livro que estávamos esperando e que chegou a bom porto, o leitor. Salomão, o elefante, não teve tanta sorte, mas disso não falarei, aguardemos o Outono, e então sim: aí, em vários idiomas simultaneamente, poderemos comentar páginas, aventuras, desenlaces. Os materiais da ficção, que são também os da vida.
A todos, um abraço e felicidades.
Pilar
quarta-feira, 15 de outubro de 2008

(Leia a matéria completa, na Revista
Cultural, da Livraria Cultura).
